"A crise aguça o engenho, a criatividade, o empreendedorismo e a inovação,
daí que os líderes têm olhado para as pessoas com mais atenção"
Fonte: Económico
Um bom líder é aquele que ocupa 40% do seu tempo a tratar ou a lidar com
pessoas, diz o Hay Group.
Descrição:
http://economico. sapo.pt/public/ uploads/articles /foto_pagina/ pessoas_empresa
rios_1_pagin. jpgSaber gerir talentos tem, na conjuntura actual, uma
importância crescente. Existe um maior compromisso com as pessoas por parte
de quem lidera as empresas. Um terço dos líderes em todo o mundo dizem
trabalhar com assuntos relacionados com pessoas e confessam estar cada vez
mais atentos e ligados aos seus colaboradores. E na base da sua actuação
está a preocupação em saber desenvolver as suas capacidades, captar os
melhores talentos, e retê-los na empresa. Quem o afirma é Luis Reis,
administrador delegado da consultora de RH e gestão Hay Group. Segundo diz,
"todos os colaboradores são importantes. Porém, actualmente, dá-se mais
importância às pessoas que não se quer mesmo perder, que têm maior potencial
e que mesmo em momentos de crise têm mercado, fazendo-se um maior
aproveitamento do potencial dos colaboradores" .
Na perspectiva deste responsável, "a crise aguça o engenho, a criatividade,
o empreendedorismo e a inovação, daí que os líderes têm olhado para as
pessoas com mais atenção".
De facto, a crise levou à implementação de algumas mudanças na área dos
recursos humanos, "focalizadas essencialmente na gestão do líder e na gestão
de equipas, sempre tendo em conta a evolução das pessoas", refere Luis Reis,
que não tem dúvidas que a motivação é um factor chave para o sucesso e que o
facto de se gostar do que se está a fazer e de se sentir útil na empresa
conta mais do que a remuneração. E "ter oportunidades de evoluir dentro da
empresa é mais importante do que um possível aumento", conclui um estudo do
Hay Group sobre o clima de negócios em Portugal. Segundo este estudo, a
liderança tem um enorme impacto no clima de uma empresa, rondando
actualmente entre os 50 e os 70%.
É do conhecimento geral que quanto mais felizes se estiver no local de
trabalho maior a nossa produtividade, e muita dessa felicidade passa por
quem lidera. Assim, "os grandes lideres são aqueles que passam mais de 40%
do seu tempo a tratar de pessoas ou com pessoas", diz Luis Reis, mencionando
o estudo, que conclui ainda uma mudança de paradigma por parte dos
trabalhadores, que "priveligiam o compromisso com a empresa e a sua relação
com a sociedade". Outra conclusão a reter é que o desejo de mudança passa,
por exemplo, por "mudar de departamento, de forma a fazer coisas
diferentes”. Este é o caminho seguido pelas grandes empresas nacionais, onde
quem lidera equipas tem como principal enfoque "salvaguardar os melhores
talentos e reter as pessoas", frisa.
Sobre quem decide mudar de empresa, Luis Reis afirma que, na sua maioria,
fá-lo "sobretudo por questões motivacionais, porque vão para outros
desafios, e não tanto pelo dinheiro". Estes desafios "não têm
necessariamente que ser na vertical. Ou seja, evoluir não tem que passar
obrigatoriamente para uma função de chefia", diz, sublinhando que muitas
vezes, "descobrir que as pessoas sabem fazer coisas novas e que elas
próprias desconheciam é já uma forma de as motivar".
Mas a crise levou ainda a outras mudanças. Se houve alturas em que caía bem
ser o primeiro a chegar e o último a sair, "hoje em dia o que é importante é
que as pessoas cumpram as suas tarefas, que criem valor", diz Luis Reis.
Porém, adverte ser importante falar-se de flexibilidade horária quando
falamos em cadeia de valor, uma vez que "trabalhamos uns para os outros". E
a questão da flexibilidade horária pode levar-nos a falar também das
diferenças salariais entre os líderes e os seus colaboradores. Luis Reis
afirma "não haver diferenciais gritantes" e que "a diferença não é maior em
Portugal do que noutros países". Portugal "está dentro da média europeia",
onde os líderes ganham "entre dez a quinze vezes mais".
Luis Reis lembra ainda que "a remuneração tem em conta o que cada um
contribui na cadeia de valor". Assim, frisa que um gestor, apesar de ser um
trabalhador como os outros, tem uma responsabilidade global perante a
empresa, os accionistas e os colaboradores, devendo por isso ganhar mais.
Nenhum comentário:
Postar um comentário