Você não tem uma alma. Você é uma alma. O que você tem
é um corpo.
Querida(o) Amiga(o),
Semanas atrás a Endeavor realizou um evento em São Paulo cheio de
figurões do mundo dos negócios. Foi a coisa mais chata do mundo!
O evento da Endeavor reuniu o presidente da CPFL para falar sobre
governança corporativa - em termos de embromation só perde para
uma sessão de 15 minutos do filme "Xuxa e a Feiurinha" - ; o
presidente do Banco Itaú para falar sobre empreendedorismo - jogaram
o coitado no lugar errado - , o presidente do Milbank para falar sobre
financiamento do crescimento - banco falando sobre financiamento do
empreendedorismo? - , e o Sardenberg para moderar um painel sobre riscos
e oportunidades no Brasil, entre outras chatices.
Até o horário do almoço ganhou um nome corporativo de doer no
fundo da alma: "brunch de relacionanento" - nem durante o
almoço a turma tirou a máscara corporativa. Engoliram o sapo.
O evento foi todo gravado, e você pode assistir quando quiser no web
site da Endeavor. (Recomendo que você assista as palestras como
sonífero).
Mas nem tudo foi chato. Teve coisa boa.
Apesar de todo o conhecimento, bagagem e barrigas que estiveram
presentes em cima do palco durante todo o dia do evento, quem roubou a
cena mesmo foi o Wellington Nogueira, "CEO" da ONG Doutores da Alegria.
Nogueira subiu no palco no final do evento, e destruiu as engrenagens
da máquina corporativa ao soltar um comentário aparentemente
"simplório" e inofensivo, "Hoje eu pude perceber que
todos estão preocupados em como "reter talentos", mas para
mim esse tipo de necessidade é uma coisa muito esquisita; oras, se o
cara que trabalha para mim é talentoso, se o cara é bom, por que
temos que "reter o seu talento"? Não tem como reter o talento
de uma pessoa criativa. Não tem como reter o talento de um
palhaço. Inclusive, quando tentei reter o talento dos meus
palhaços adicionando plano de carreira e outras filosofias do mundo
corporativo, os meus palhaços perderam o tesão de fazer as coisas
de maneira diferente e crescer."
Pela manhã, Beto Sicupira, mega blaster empreendedor brasileiro dono
das lojas Americanas, Ambev, entre outras, soltou uma máxima que
aparentemente passou desapercebida pela "galera" que assistia ao
evento, mas me tocou no fundo da alma.
Mario Chady, do Grupo Umbria, perguntou a Sicupira, "Agora que
você comprou a Burger King, você vai aprender a comer
hamburger?"
Sicupira respondeu, "Tô fora. Eu posso até aprender a fazer
hamburger, mas comer hamburger eu não vou.".
Foda.
(Desculpe o meu francês).
Que lixo de exemplo que esse cara deu.
A turma do Sicupira vende agora todo tipo de droga: bala, chocolate,
chiclete, salgadinho, cerveja, refrigerante e hamburger; e a galera do
fundão ama muito tudo isso, então, bóra comprar McLanche Feliz
para ganhar bonequinho de plástico, e depois vamos assistir filme
"dubrado" no cinemark porque não temos saco para ler legenda
de filme americano.
Sei lá, entende, parafraseando Steve Jobs, "Você quer vender
água com açúcar pelo resto da sua vida ou você quer mudar o
mundo?", argumento usado por Steve Jobs para convencer John Sculley
a trocar a presidência da Pepsi para se tornar CEO da Apple em 1983.
Quem vai liderar a gente?
Em breve, todos seremos líderes potenciais.
É aquela velha história, quem deveria liderar o solo de guitarra
em uma banda de rock? O guitarrista solo, é claro. Quem deveria
liderar a segurança da rede da sua empresa? O especialista em
segurança, e não o gerente boçal que mal e porcamente entende
de relações interpessoais, e está mais preocupado com a quantidade
de papel usado na impressora da rede do que se o trabalho foi feito ou
não. Curiosamente, no ambiente em que tudo se mede, aquele que
mastiga planilhas é o último a saber do que realmente está
acontecendo.
Que saco essa moda da gestão de emoções. Os "Coachs de RH"
conseguiram levar os líderes na conversa. Piada. Hoje, os
"líderes" não entendem tecnicamente bulufas de nada, e por
conta disso atrasam a implementação de qualquer novidade. O que antes
levava 3 meses, hoje leva 1 ano. O que antes era decidido por dois
caras, hoje temos que chamar 23 cidadãos para chegar a um consenso
sobre o azul da embalagem. Até o padre da paróquia é chamado
para atestar se o azul está dentro dos conformes celestiais. Na era
da velocidade, estamos mais lentos do que nunca.
É mais fácil você criar a sua própria planilha de controle
de alguma coisa, do que esperar o gerente - que nem sabe mexer em uma
planilha - criar uma.
Quem vai liderar a gente?
O cara que vende hamburger mas não come hamburger!
Argh, Apertem os cintos, o piloto sumiu!
Quem vai liderar a gente?
Aqueles - eu espero - que lideram pelo exemplo de serem empreendedores.
A coisa mais fascinante no Steve Jobs - eu tenho que citar o cara de
novo porque ele é peça rara nesse sentido - é o fato dele se
colocar como vendedor oficial dos produtos da Apple há mais de 20
anos. O cara é trilionário, tem milhares de funcionários em
todo o mundo, centenas de marketeiros, diferentes agências de
propaganda e eventos por todos os cantos, e ainda assim,
trimestralmente, o cara dá a cara para bater, sobe no palco, e ele
mesmo apresenta os produtos que a Apple está lançando no mercado.
Quer dizer, se o produto for um fracasso, ele dança, se o produto for
um sucesso, ele seta o exemplo de empreendedorismo para todos os outros
funcionários.
Por outro lado, eu sempre vejo o presidente da Nestlé no Programa do
Amaury Junior dando entrevistas sobre gado, baladas etc, mas eu nunca vi
o cara a frente do evento de lançamento da nova embalagem do Leite
Moça. Ok, o cara tem um monte de vaca para cuidar, não tem tempo
para perder com venda de produto, lançamento de novidades etc, isso
é coisa de peão, trabalho mundano para o Steve Jobs fazer, ou a
assessoria de imprensa da Nestlé, isso não é trabalho para
presidente de multinacional.
Para mim o líder é a extensão da marca da empresa. Se o chefe
gosta de vaca, de uma maneira ou de outra, todos os diretores estarão
envolvidos com o assunto. Se o líder é vendedor, de uma maneira ou
de outra, todos os seus apóstolos estarão envolvidos com vendas.
Seja para puxar o saco, ou porque acredita, é assim que as coisas
são, ladeira abaixo, até chegar na recepcionista e na tia do
cafezinho.
Quem vai liderar a gente?
Aqueles que são capazes de criar estruturas que não precisam da
sua presença para prosperar.
Nós vivemos em uma sociedade feita para quebrar. Tudo aqui é
temporário. Hoje, durante o HSM Management, um palestrante imbecil
falou sobre a importância de planejar o que queremos ser em 2035. Em
2035, 95% das empresas presentes ali não vão mais existir. 85% dos
produtos feitos no mundo vão para o lixo em 90 dias. A embalagem do
suco de laranja que você jogou no lixo hoje, foi feita 25 dias
atrás. O papel que embrulha o bombom Sonho de Valsa que você
detonou há pouco, foi impresso pela gráfica 15 dias atrás.
Até os produtos da Apple são feitos para durar no máximo 3 ou 4
anos.
É o preço que pagamos para sermos modernos. Temos que nos
reinventar a todo tempo, e continuar avançando, com novas maneiras de
fazer as coisas.
O "pobrema" é que se não tomar cuidado, você não
deixará legado algum para as futuras gerações.
O apartamento que você vai passar a vida pagando, será demolido 20
anos depois de você terminar de pagar. Se bobear, você passará
pela Terra sem causar qualquer impacto, sem deixar a sua marca.
Eu não nasci para ser uma peça da engrenagem de fazer dinheiro. De
fato, eu não tenho respeito algum por líderes que pensam apenas em
fazer dinheiro ou aparecer bem na fita.
Eu nasci para fazer a diferença, deixar um legado, criar um
cenário onde as pessoas se sintam "seguras" para levar suas
vidas, educarem seus filhos, e mudar o mundo.
Os romanos, por exemplo, foram um povo ultra avançado. Quando o
Império Romano foi para o saco, tudo se perdeu. Os historiadores
dizem que estamos 1.500 anos atrasados por conta da ignorância dos
conquistadores de Roma que não quiseram compreender aquilo que não
entendiam, e destruíram tudo.
Hoje, você tem uma oportunidade sem precedentes na história da
humanidade para deixar um legado da sua inteligência e experiência
para as futuras gerações continuarem a construir um mundo melhor para
o máximo possível de pessoas.
A promoção contínua dessas experiências diversificadas
levará a criação de um mundo que aceita todos os tipos de
diferenças. A segurança, a prosperidade e a evolução do ser
humano depende do seu envolvimento pessoal nessas iniciativas.
Esse é parte do exemplo de liderança que você deve deixar nesse
mundo; esse é o exemplo de líder que eu quero seguir.
NADA MENOS QUE ISSO INTERESSA!
QUEBRA TUDO! Foi para isso que eu vim! E Você?
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